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O dia em que os dinossauros morreram


Cientistas perfuraram na cratera de Chicxulub, enterrada abaixo da península de Yucatán e recuperaram pedras sob o Golfo do México que foram atingidas por um asteroide 66 milhões de anos atrás, criando um ambiente que tornou possível a ascensão do homo sapiens. 

O asteroide de 15 km não poderia ter atingido um lugar pior na Terra. "Todos esses fósseis estavam em uma camada de até 10 cm de espessura", disse o paleontólogo Ken Lacovara. "Eles morreram de repente e foram enterrados rapidamente. Isso nos diz que este é um momento no tempo geológico. Estamos falando de dias, semanas, talvez meses. Mas não milhares de anos, não são centenas de milhares de anos. Ou seja, foi um evento instantâneo."

O mar raso que cobria o local indicava que volumes colossais de enxofre foram jogados na atmosfera, estendendo o período de "inverno global" que se seguiu à "tempestade de fogo".

Se o asteroide tivesse atingido outro local, o resultado poderia ter sido muito diferente.

"E aqui temos a grande ironia da história toda - porque no final, não foi o tamanho do asteroide, a escala da explosão, ou mesmo seu alcance global que fez dinossauros serem extintos - foi onde o impacto aconteceu, "Disse Ben Garrod, que apresenta o documentário da BBC The Day The Dinosaurs Died (O Dia que os Dinossauros Morreram), com Alice Roberts.


"Se o asteroide tivesse caído alguns momentos antes ou mais tarde, ao invés de atingir águas costeiras, rasas, poderia ter atingido o oceano profundo. Um impacto próximo aos oceanos Atlântico ou Pacífico teria como consequência uma quantidade muito menor de rochas vaporizadas. A nuvem poderia ser menos densa e a luz do Sol ainda teria alcançado a superfície do planeta, o que significa que o que aconteceu em seguida poderia ter sido evitado.

"Os oceanos ficaram sem comida em uma semana. Logo depois, isso aconteceu em terra firme. Sem nada para comer, os dinossauros, até então poderosos, tinham poucas chances de sobrevivência."

Ben Garrod passou algum tempo junto ao equipamento de perfuração que estava estacionado a 30 km da Península de Yucatán, no México, nos meses de Abril e Maio do ano passado, para entender melhor os objetivos do projeto; Alice Roberts visitou locais distintos onde haviam fósseis geograficamente distantes nas Américas, para ter uma noção de como a vida foi abalada pelo impacto.

Foram recuperados núcleos de rocha de até 1.300 metros abaixo do Golfo. As seções mais baixas deste material têm uma característica dentro da cratera chamada de anel de pico. Esse anel de pico é feito da rocha que foi partida violentamente e alterada por pressões imensas. Analisando suas propriedades, a equipe de projeto de perfuração - liderada pelos Professores Jo Morgan e Sean Gulick - espera reconstituir como o impacto ocorreu e as mudanças ambientais que provocou.

A borda externa (arco branco) da cratera encontra-se sob a própria península de Yucatan, mas o anel interno do pico é melhor alcançado por dentro do mar. Um objeto de 15 quilômetros de largura cavou um buraco de 100 km de diâmetro e 30 quilômetros de profundidade na crosta terrestre. Esta tigela então desabou, deixando uma cratera de 200 km de diâmetro, com alguns quilômetros de profundidade.

O centro da cratera se levantou e desabou novamente, produzindo um anel interno. Hoje, grande parte da cratera está enterrada no mar, sob 600 metros de sedimentos. Em terra, é coberta por calcário, mas sua borda é delineada por um arco de drenos (cenotes) que se formaram de calcário ralo cobrindo a cratera.

A equipe também está reunindo ideias e suposições de como a vida retornou ao local de impacto nos anos que sucederam ao evento. Uma das muitas sequências fascinantes dos programas da BBC 2 mostra Alice Roberts visitando uma pedreira em Nova Jersey, EUA, onde 25.000 fragmentos de fósseis foram recuperados - evidências de um "holocausto" que pode ter ocorrido no dia do impacto. 


[Tradução: @difurlan1]

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