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Há uma chuva de meteoritos na Lua e podemos vê-la da Terra


Em fevereiro de 2015, o Observatório Nacional de Atenas e a Agência Espacial Européia lançaram o projeto Near-Earth object Lunar Impacts and Optical TrAnsients (NELIOTA). O objetivo deste projeto é determinar a freqüência e distribuição de Objetos Próximos da Terra (NEOs), monitorando com que freqüência eles acertam a Lua. Para tal, eles utilizam o telescópio de 1,2 metros no Observatório de Kryoneri,

Na semana passada, no dia 24 de maio de 2017, a ESA anunciou que o projeto havia começado a detectar impactos, o que foi possível graças aos flashes de luz detectados na superfície lunar. Enquanto outros observatórios que monitoram a superfície da Lua são capazes de detectar esses impactos, NELIOTA é único, não só porque é capaz de detectar flashes mais fracos, mas também medir as temperaturas que eles produzem. 

Projetos como NELIOTA são importantes porque a Terra e a Lua são constantemente bombardeadas por detritos (não artificiais) provenientes do espaço - que variam em tamanho, desde poeira e pedrinhas a objetos maiores. Mesmo que os objetos maiores sejam raros, eles podem causar danos consideráveis, assim como o objeto de 20 metros que se desintegrou acima da cidade russa de Chelyabinsk em Fevereiro de 2013, causando lesões e destruição de propriedades.

Os dois rastros de fumaça deixado pelo meteorito russo ao passarem pela cidade de Chelyabinsk. Crédito: AP Photo/Chelyabinsk.ru
A freqüência da queda de objetos com tamanho de cristais ou pouco maiores não é bem conhecida. Esses objetos são muito pequenos para serem detectados diretamente pelos telescópios e raramente as câmeras conseguem fotografá-los antes de se partirem na atmosfera da Terra. Assim, os cientistas têm procurado outras maneiras de determinar quão freqüentes são estes objetos potencialmente ameaçadores.

Assim, uma boa maneira é observar as áreas da superfície lunar que não são iluminadas pelo Sol, onde o impacto de um objeto pequeno em alta velocidade causará um flash brilhante. Esses flashes são criados pelo objeto queimado no impacto e são brilhantes o bastante para serem vistos da Terra. Supondo que os objetos tenham uma densidade e uma velocidade comuns aos NEOs (Objetos Próximos da Terra), o brilho do impacto pode ser usado para determinar o tamanho e a massa do objeto.

Como Detlef Koschny - o co-gerente do segmento de objetos próximos da Terra, do Programa de Conscientização do Espaço Situacional da ESA e cientista no Escritório de Apoio à Ciência - disse em um comunicado de imprensa da ESA:
"Essas observações são muito relevantes para o nosso programa de Conscientização Situacional do Espaço. Em particular, podemos observar aqui que o número de objetos não é muito conhecido. Realizar essas observações durante um longo período de tempo nos ajudará a entender melhor esse número."
Pequenos pedaços de rocha que atingiram a superfície da Lua foram vistos pelo projeto NELIOTA, que acompanhava o lado escuro da Lua. Crédito: projeto NELIOTA
Depois do projeto ter sido pausado em 2016 para realizarem melhorias, NELIOTA começou a operar oficialmente em 8 de março de 2017. Usando este telescópio remodelado, operado pelo Observatório Nacional de Atenas, NELIOTA é capaz de detectar flashes que são muito mais fracos do que qualquer telescópio de monitoramento lunar atual, de pequena abertura.

O telescópio faz isso observando o hemisfério noturno sempre que a Lua está acima do horizonte e entre as fases. Nestes momentos - entre uma Lua Nova e a Lua Crescente, ou entre a Lua Cheia e uma Lua Nova - a superfície é muito escura e os flashes são mais visíveis. A luz proveniente é então dividida em duas cores e os dados são gravados por duas câmeras digitais avançadas que operam em diferentes faixas de cores.

Estes dados são então analisados ​​por softwares automatizados, que enxerga as temperaturas com base nos dados de cores obtidos pelas câmeras. Como Alceste Bonanos - a pesquisadora principal do projeto NELIOTA - explicou, todos esses detalhes fazem do telescópio de 1,2 metros ser único: 

"A grande abertura do telescópio permite que o NELIOTA detecte flashes mais fracos do que outros instrumentos de monitoramento lunar e fornece informações precisas sobre cores que não estão atualmente disponíveis em outros projetos. Nosso sistema de duas câmera nos permite confirmar eventos de impacto lunar com um único telescópio, algo que até então não era possível. Uma vez que os dados foram coletados ao longo do período operacional de 22 meses, poderemos conhecer melhor o número de NEOs (objetos próximos da Terra) numa faixa de tamanho de decímetros até metros."
Imagens que mostram o impacto em solo lunar capturado pelo NELIOTA. Créditos: projeto NELIOTA.


[Tradução: @difurlan1]

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