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A Zona Habitável UV restringe e filtra os locais para se procurar por vida.

Este esquema ilustra a zona habitável tradicional (em verde) de uma estrela, onde um planeta rochoso poderia conter água líquida. Mas outros fatores também determinam se a vida poderia persistir em um planeta, assim como a radiação ultravioleta. [NASA/Missão Kepler/Dana Berry]
Aonde devemos procurar por vida no Universo? A zona habitável ao redor de uma estrela é baseada tradicionalmente na possibilidade de existir água líquida na superfície de um planeta - mas a radiação ultravioleta também desempenha um papel fundamental nesse jogo de variáveis.


A Zona Habitável UV (Ultravioleta)

Apesar da presença de água líquida, existem outros aspectos importantes para que a vida possa persistir. Para a vida como nós a conhecemos, um elemento importante a se levar em consideração é a radiação ultravioleta moderada: se um planeta recebe pouco fluxo de raios UV, vários componentes biológicos não serão capazes de ser sintetizados. Agora, se o fluxo de raios UV for excessivo, então sistemas biológicos terrestres (DNA) podem ser danificados.


Esquema mostrando como a localização da zona habitável tradicional e sua largura muda ao redor de diferentes tipos de estrelas. A zona habitável UV também tem localizações e larguras diferentes dependendo da massa e da metalicidade da estrela. [NASA/Missão Kepler/Dana Berry].
Para determinar o local mais provável de se encontrar vida, devemos procurar a região onde a zona habitável tradicional de uma estrela - local onde a água líquida pode existir - se sobreponha à sua zona habitável UV, dentro do qual o fluxo de raios ultravioleta esteja em um nível aceitável para suportar vida. 


Procurando Pelo Local de Sobreposição

Em um estudo recente, dois cientistas da National Defense Academy do Japão, Midori Oishi e Hideyuki Kamaya, exploraram como a localização da zona habitável UV, como também a sua sobreposição com a zona habitável tradicional, pode ser afetada pela massa e metalicidade estelar. 

Oishi e Kamaya desenvolveram um simples modelo evolutivo da zona habitável UV em estrelas que tem entre 0.08 a 4 massas solares com variância nas metalicidades (z=0.02), com um décimo e um centésimo da metalicidade solar.

Eles calcularam a localização das bordas internas e externas da zona habitável UV para cada estrela, no início e no final de suas vidas em fase de sequência principal. Então, eles determinaram a região onde a zona habitável UV entra em intersecção com a zona habitável tradicional, artifício que visa maximizar o potencial do planeta em sustentar vida.


A Faixa Estreita

Oishi e Kamaya constataram que levar em conta a zona habitável UV diminui a quantidade de espaço em que a busca por vida é feita. Apenas estrelas com metalicidade parecidas com o Sol e com apenas 1 a 1.5 massas solares, sofrem intersecção entre a zona habitável UV e a zona habitável tradicional.

A medida que a metalicidade da estrela hospedeira diminui, as regiões em intersecção também diminuem: com a metalicidade de 1% do Sol (Z = 0,0002), as zonas UV e a zona habitável tradicional não se sobrepõem para nenhuma estrela. 

Os autores apontam que isso não significa necessariamente que essas estrelas não podem suportar vida. A atividade estelar, como labaredas solares e ejeções de massa coronal, pode aumentar temporariamente o fluxo UV, possivelmente fornecendo o suficiente para compensar o baixo fluxo em estado estacionário. Ainda, oceanos poderiam proteger a vida em potencial do fluxo de raios ultravioleta onde a incidência é muito alta.

No entanto, estimativas neste estudo da zona habitável UV nos ajudam a diminuir (ou filtrar) os lugares mais prováveis ​​para encontrar vida no universo.

Citação

Midori Oishi e Hideyuki Kamaya 2016 ApJ 833 293. doi:10.3847/1538-4357/833/2/293


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Fonte: AAS NOVA

[Tradução: @difurlan1]

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