Ads Top

Por dentro do plano de enviar dois clones da espaçonave Cassini para Netuno e Plutão

A proposta de 1991 poderia dar forma ao nosso entendimento do Sistema Solar exterior como um todo. 


Em 1991, Alan Stern, Jonathan Lunine e David Morrison apresentaram uma proposta para a NASA afim de se aventurarem em um território inexplorado. Se eles tivessem conseguido convencer, a NASA teria enviado sondas para Netuno e Plutão. 

O conceito apontava para espaçonaves gêmeas (ou até trigêmeas) da espaçonave Cassini, a grandiosa espaçonave que atualmente orbita Saturno, mas que em Outubro de 2017, depois de 13 anos operacional, será manobrada para entrar em rota de colisão com a atmosfera do planeta, afim de assegurar que ela não caia sobre uma de suas luas. 

As sondas eram, por vezes, referenciadas como Netuno Mariner e Plutão Mariner. As duas eram para ter sido lançadas em 2001 e 2003. Uma sonda extra, equivalente ao pousador Huygens (que aterrizou em Titã), iria mergulhar através das camadas de nuvens de Netuno, enquanto a missão de Netuno entraria numa órbita retrógrada, com a intenção de manobrar para chegar perto o suficiente da atmosfera superior de Tritão. Teria sido uma missão de quatro anos, embora a NASA tenha o hábito de estender as missões desde que a espaçonave ainda tenha combustível e seja funcional.

A missão de Plutão foi projetada para realizar um sobrevoo com duas sondas. Uma sonda menor precederia a espaçonave principal para analisar a atmosfera de Plutão e realizar o reconhecimento antes da parte principal ser iniciada.


O Plano para Plutão

Ambas as naves completariam um sobrevoo primeiramente em Vênus, procurando sinais de vulcanismo. O próximo passo era um sobrevoou de encontro com a Terra antes de navegar pelo cinturão de asteroides e tentando encontros com vários asteroides que poderiam estar ao longo de seus caminhos. Ambas as naves teriam realizado medições na magnetocauda de Júpiter e pelo menos uma delas poderia ter voado através das luas jovianas para um encontro próximo durante uma assistência gravitacional; Ganimedes ou Calisto teriam sido os prováveis alvos. A sonda de Plutão começaria seu encontro com Júpiter por volta de 2006, com a sonda Netuno realizando o encontro após um ou dois anos. 

O encontro com Plutão teria ocorrido por volta de 2015, enquanto a sonda Netuno, teria ido mais lenta, como um orbitador ao invés de uma missão de sobrevoo, iniciaria seu encontro com o planeta em 2020. No entanto, a sonda Netuno, no decorrer de seus encontros com luas de Júpiter e um sobrevoo em Vênus, também teria chegado perto o suficiente de Chiron para estudá-lo e reunir uma boa quantidade informações.

Chiron (não é Charon) é um grande corpo rochoso entre as órbitas de Júpiter, Saturno e Urano, que pode ser um planeta anão. É o maior em uma classe de objetos conhecidos como Centauros, que são asteroides e outros pequenos corpos rochosos entre o cinturão de asteroides e o cinturão de Kuiper.

100 dias antes do encontro em 2015, a sonda de reconhecimento de Plutão seria lançada, realizando o que seus propositores chamavam de "cobertura de imagem completa, global e de alta resolução" de Plutão e Caronte (Charon, não Chiron). Ao enviar a sonda à frente, a equipe seria capaz de usar a imagem do sobrevoo de Plutão e a sonda para obter uma visão completa de Plutão e Caronte. A espaçonave New Horizons teve uma vista parcial apenas.

A Mariner Plutão então voaria pelo Cinturão de Kuiper, que em 1991 era apenas uma teoria. O primeiro Objeto do Cinturão de Kuiper só foi descoberto em 1992, embora acreditasse há muito tempo que a região existia. Acreditava-se também que o cinturão de Kuiper (chamado de disco de Kuiper) era uma região dominada por cometas.


Netuno Mariner

O encontro da sonda de Netuno começaria com o envio de um pousador, assim como a Hugyens fez em Titã, mas sobre a atmosfera de Netuno. Após, entraria em órbita depois de um longo período de imageamento e reconhecimento. A espaçonave teria usado repetidamente Tritão para manobrar através da região, reduzindo uma órbita de 200 dias para 80. Comparações poderiam ser feitas entre Plutão e Tritão, uma vez que ambos os corpos teriam sido melhor compreendidos.

Na época, os autores observaram que Plutão poderia ter neblinas e criovolcanismo, assim como Tritão. De acordo com os sobrevoos da New Horizons, eles acertaram.

A partir daí, propostas para uma missão estendida pediam que a espaçonave Plutão Mariner estudasse o Cinturão de Kuiper e o comparasse aos discos de poeira em Vega e Beta Pictoris, a medida que fôssemos o compreendendo. As sondas, assim como as Voyagers antes delas, também estudariam a região da heliosfera.

Uma missão estendida a Netuno envolvia levar a espaçonave perto o suficiente do planeta azul afim de medir seu campo magnético. 


Nunca viram a luz do dia

É claro que essas missões nunca saíram do projeto. No final, esta foi apenas um de vários rascunhos de uma missão a Plutão, que Stern e seus colaboradores submeteriam à apreciação de seus superiores antes que a missão New Horizons fosse aprovada. Mas, até agora, não voltamos a Netuno e, em vez disso, confiamos quase que exclusivamente nos dados do Hubble para entender o gigante de gelo.

Além disso, como ambas as missões estariam na parte externa do Sistema Solar, ambas as missões necessitariam de gradientes radiotermais (RTGs), que atualmente é um material escasso. Estas fontes de energia e calor requerem Plutônio-238, um isótopo que não pode ser produzido naturalmente.

Mas imagine: Se a sonda Netuno tivesse sido lançada, teria sido capaz de estudar ao menos quatro planetas, teria encontrado duas das maiores luas do Sistema Solar, estudado um punhado de asteroides e voado por um planeta anão antes de entrar na órbita de um mundo complexo e dinâmico, na fronteira final dos gigantes de gás. Teria passado pelo menos quatro anos estudando as 14 luas de Netuno (e provavelmente descobrindo algumas mais), incluindo pelo menos um objeto do Cinturão de Kuiper, maior do que Plutão. Teríamos descoberto mais sobre Chiron e seu estranho sistema agora e cruzando nossos dedos para o encontro com Netuno. Isso, sem dúvidas, suavizaria o golpe iminente da morte da Cassini (assumindo que sua missão estendida era semelhante neste universo alternativo)

Por hora, isso é o que vamos ter que fazer: apenas imaginar.


[Tradução: @difurlan1]

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.