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Cientistas estão se aproximando do Planeta Nove


Uma equipe na Austrália está um pouco mais próxima de localizar o Planeta Nove. Em um comunicado emitido ontem, um grupo de cientistas da Universidade Nacional Australiana anunciou que eles tinham localizado com êxito quatro objetos através de dados do SkyMapper Southern Sky Survey. Dois são planetas menores conhecidos: Chiron e Comacina."Um certamente é um asteroide. O outro, não tenho certeza", disse o astrofísico Brad Tucker da ANU em entrevista à Astronomy.

A equipe australiana está trabalhando em conjunto com cientistas amadores para procurar o que poderia ser uma das maiores descobertas do século: um planeta novo, muito maciço. Em 2016, o astrônomo da Caltech Mike Brown e o astrofísico teórico Konstantin Batygin anunciaram que encontraram evidências de um planeta maciço orbitando longe do Sistema Solar com uma órbita prevista de 20.000 anos. Sua presença é inferida na órbita de vários objetos do Cinturão de Kuiper.

Se ele está lá, a sua órbita é tão elíptica e o leva tão distante que é difícil de detectar visualmente, mesmo com os melhores telescópios do mundo. Brown tem usado o telescópio Subaru, de propriedade do Observatório Astronômico Nacional, em Mauna Kea, para varrer os céus procurando por qualquer ponto de luz que corresponda às suas previsões. Até agora, a caçada ainda está em andamento, mas Brown e Batygin precisavam de ajuda. Então eles elaboraram parâmetros para que fosse possível receber ajuda de cientistas amadores. Agora as pessoas ao redor do mundo estão tentando localizar o Planeta Nove.

Astrônomos da Universidade Nacional Australiana fizeram parceria com o site de ciências Zooniverse (link em português), a fim de conseguir público para ajudar a peneirar os dados mais rapidamente. Eles estão usando um mapa do céu com os dados do SkyMapper Southern Sky Survey, semelhante ao Sloan Digital Sky Survey. Ambos os hemisférios do céu serão vistoriados, permitindo às pessoas encontrarem o planeta.

Até agora, mais de 60.000 pessoas identificaram mais de 4 milhões de objetos. E isso porque eles estão apenas começando. Embora seja pouco provável que o quarto objeto desconhecido de seu achado recente seja o Planeta Nove, isso por si só já é um testemunho de que eles estão encontrando objetos pequenos distantes no Sistema Solar. "Se o Planeta Nove estivesse no periélio, sua influência gravitacional já teria sido vista na telemetria da Cassini", diz Batygin.

A probabilidade de que o planeta seja o mais distante do Sol também está tornando as coisas um pouco mais complicadas, mas isso provavelmente não vai impedir qualquer trabalho das equipes. O levantamento SkyMapper não tem a capacidade de observar a maior parte da órbita de 20.000 anos do Planeta Nove e provavelmente isso limita a observação enquanto ele estiver no periélio. Batygin explica: "Nossa análise teórica sugere que o Planeta Nove esteja atualmente na parte externa de sua órbita, perto de afélio". Portanto, o fato do Sky Mapper não ter encontrado ainda é consistente com o que Batygin e Brown têm previsto sobre a órbita do Planeta Nove.

Via e-mail, Brown disse que está muito feliz que o público tem sem envolvido na busca e está animado para ver o que pode vir da equipe da ANU. "É extremamente difícil saber qual das muitas técnicas diferentes que as pessoas estão tentando atingirão o 'ouro', mas quanto mais se tentar, mais rápido veremos o resultado!"

A probabilidade do Planeta Nove estar no ponto mais distante de sua órbita de 20 mil anos faz com que a descoberta seja muito mais difícil. Brown já pesquisou todo o céu a procura de objetos com uma magnitude próxima a 19. Para efeito comparativo, nosso Sol é classificado em -27 em sua magnitude. Depois dele, vem Vênus com  -5; Plutão está escalado como 14, mas o Planeta Nove poderia ser muitas vezes mais apagado (menos reflexivo) que ele, por estar muito mais distante. 

Se o Planeta Nove está lá, espera-se que ele seja 10 vezes mais maciço do que a Terra e que seja classificado com uma magnitude 22 com base em sua distância estimada. Tucker está confiante de que seus dados de pesquisa o levará a objetos com essa escala de magnitude. Batygin explica, "Através da técnica de empilhamento de imagens, eles conseguirão captar objetos com magnitude 22", que é um processo comum e que necessita de várias exposições da mesma parte do céu, afim de criar uma imagem composta. "É impressionante. Isso cobre uma parte substancial da órbita."

Com esse, outros projetos e iniciativas, provavelmente não levará 100 anos para descobrir se existe ou não o Planeta Nove. Com seus olhos atentos nas telas de computador e em telescópios, eles devem descobrir exatamente o que está causando todo esse tumulto gravitacional já nos próximos anos. 

Se você está interessado em se juntar aos astrônomos ao redor do mundo, você pode participar da pesquisa que usa os dados do Sky Mapper. Assim voce poderá pesquisar em imagens onde você encontrará estrelas, galáxias e especificações de outros mundos e talvez até mesmo um novo planeta. O projeto tem o endosso da equipe oficial do Planeta Nove, afinal, "Eu amo esse projeto!", diz Brown. "Nós gostaríamos de encontrar o Planeta Nove," disse Brown, "mas encontrá-lo através de um programa de ciências desse porte seria uma das melhores partes dessa história!"


[Tradução: @difurlan1]


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