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Astronautas da NASA estão perto de identificar uma colônia de micróbios desconhecidas que crescem no espaço

O que espreita acima.


Geralmente, a Estação Espacial Internacional (ISS) é um lugar muito limpo. Mas onde há pessoas, existem micro organismos.

E quando você está preso em um pedaço gigante de metal a cerca de 400 quilômetros  acima da superfície da Terra, você realmente quer saber o que é o material peludo e branco que está crescendo "ali" no canto.

Agora, a única maneira de testar contaminantes provenientes da Estação Espacial é coletar amostras e enviá-las ao planeta.

"Tivemos contaminação em partes da estação onde os fungos foram vistos crescendo ou o biomaterial foi retirado de uma tubulação de água que estava entupida, mas não temos ideia do que é até que a amostra volte para o laboratório", diz a microbiologista da NASA, Sarah Wallace.

Normalmente não é um negócio tão grande para os astronautas, que têm um estoque de desinfetantes em mãos, mas gostaríamos de ser capazes de fazer os testes lá no espaço, especialmente quando as futuras missões forem além do casulo seguro da proximidade relativa da Terra.

"À medida que nos afastamos para além da órbita da Terra, onde a capacidade de reabastecimento de suprimentos é menos freqüente, saber o que precisa ser desinfectado ou não torna-se muito importante", diz Wallace.

É por isso que a NASA tem trabalhado em um novo projeto, Genes in Space-3. Seu objetivo é estabelecer um sistema amigável para os astronautas sequenciar DNA de vários micro organismos a bordo da ISS.

"Os experimentos do projeto Genes in Space-3 demonstram maneiras pelas quais o sequenciamento de DNA é feito com um dispositivo portátil, em tempo real e que pode ser usado para ensaiar a ecologia microbiana, diagnosticar doenças infecciosas e monitorar a saúde da tripulação a bordo da ISS, explica o site do projeto.

Apenas no ano passado é que a primeira pessoa, a bióloga molecular e astronauta Kate Rubins, realizou um sequenciamento de DNA no espaço. Ela usou um pequeno dispositivo chamado MinION, que se baseia em uma tecnologia de nanoporos [link em inglês] para analisar DNA e RNA em tempo real.

Dispositivos como MinION são utilizados rotineiramente em campo para acompanhar a propagação de doenças como Ebola e Zika, ou estudar amostras ambientais em lugares como a Antártida.

Mas antes de Rubins usar com sucesso o MinION na ISS, ninguém tinha certeza se ele iria funcionar em microgravidade. Para o teste, os pesquisadores enviaram amostras pré-fabricadas de DNA de ratos, vírus e bactérias e, em seguida, compararam os resultados de Rubins com testes feitos nas mesmas amostras na Terra.

O que realmente queremos é a capacidade de identificar organismos desconhecidos lá no espaço. E para fazer isso, precisamos de tecnologia para preparar essas amostras.

Felizmente, a NASA também tem um dispositivo chamado miniPCR. Ele foi desenhado por Anna-Sophia Boguraev, uma estudante de 17 anos, para a competição inaugural do Genes in Space.

A invenção de Boguraev é uma versão útil e amigável de um dispositivo necessário para realizar reação em cadeia da polimerase (PCR) em uma amostra de DNA para que possa ser analisada.

Anna-Sophia Boguraev com um miniPCR. Créditos: NASA
Unindo as duas tecnologias, a NASA agora tem uma solução viável para preparar, sequenciar e identificar micro organismos na estação espacial.

"A união destes dispositivos diferentes está permitindo que nós tenhamos um laboratório em mãos na Estação Espacial, ao invés de trazer as amostras ao laboratório em Terra," diz o bioquímico Aaron Burton, da NASA.

Esta é uma boa notícia para todos os futuros astronautas, pois será extremamente útil se houver algo estranho crescendo nas paredes da estação espacial.

"O sequenciamento a bordo torna possível que a tripulação saiba o que está em seu ambiente a qualquer momento", disse Wallace no ano passado. (Wallace é investigador-chefe do projeto). "Isso nos permite tomar medidas adequadas aqui na Terra."

Além disso, a ISS é basicamente um gigantesco laboratório espacial.  Adicionar ferramentas de biologia molecular ao seu arsenal ajudará em muitos outros experimentos a bordo. É possível que um dia nós iremos levar essas ferramentas para Marte e além.

Quem sabe se iremos estar sequenciando vida alienígena em qualquer momento no futuro (quem sabe, Encélado..), mas pelo menos quando tropeçarmos nela, estaremos preparados.



[Tradução: @difurlan1]

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