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Trappist-1: um sistema solar pequeno que tem 7 planetas do tamanho da Terra... e todos podem ser habitáveis.


TRAPPIST-1 é um sistema solar único até então. A 40 anos-luz daqui, a pequena e minúscula anã vermelha é grande o suficiente para ser considerada uma estrela e é, em termos de raio, um pouquinho maior do que Júpiter. Quando foi anunciado em maio passado, houve um certo alvoroço: o sistema tinha três planetas do tamanho da Terra e todos eles poderiam ser habitáveis.

Mas vamos ter que rever isso. TRAPPIST-1 tem sete planetas e os resultados de um estudo intensivo foram publicados hoje na Nature.

A estrela TRAPPIST-1 é tão pequena que se assemelha a Júpiter e seus planetas mais se assemelham com as luas jovianas. TRAPPIST-1b (o planeta mais próximo da estrela) tem um período orbital de apenas 1,5 dias. Sua órbita é de 1% a distância entre o Sol e a Terra. Mas como TRAPPIST-1 é uma estrela muito pequena e fraca, ao invés de condenarmos o planeta (1b) por estar tão perto da estrela, podemos dizer que ele tem uma temperatura um pouco acima do "confortável".


Comparação de tamanho entre o nosso Sol e a estrela TRAPPIST-1, que se localiza a 40 anos-luz daqui.

Os eventos de maio de 2016, que levaram à descoberta inicial dos planetas, acabaram sendo um tanto inconclusivos. Os planetas TRAPPIST-1b e TRAPPIST-1c foram facilmente confirmados, mas TRAPPIST-1d, não. TRAPPIST-1d tinha uma órbita bizarra, muito mais difícil de identificar do que os outros planetas. 


Assim, TRAPPIST-1d ainda não havia sido confirmado. Dois trânsitos foram testemunhados durante a primeira campanha de observação e pensava-se ser o planeta mais externo dos três até então descobertos. Mas esses dois trânsitos foram na verdade dois eventos distintos.


Concepção artística da visão da estrela TRAPPIST-1 sobre o exoplaneta TRAPPIST-1b
"O primeiro trânsito e o segundo trânsito eram de planetas diferentes", disse Michaël Gillon, professor da Universidade de Leige e principal autor do artigo. "Na verdade, o segundo trânsito foi de dois planetas passando ao mesmo tempo."


Como nenhum outro

Isso nos leva a cinco planetas. Estudos intensivos usando tanto o telescópio TRAPPIST, quanto o telescópio Spitzer, da NASA, ajudaram a refinar a órbita dos planetas e indicaram a presença de mais dois. TRAPPIST-1b, -1c, -1f e -1g são todos só um pouco maiores do que a Terra. -1e é ligeiramente menor do que a Terra. -1d e -1h estão mais próximos de Marte em tamanho.



Embora as massas exatas e os períodos orbitais ainda não sejam conhecidos, os resultados preliminares sugerem que eles podem estar em ressonância. Isso significa que quando -1b orbita oito vezes, -1c completa cinco órbitas, ou seja: 8: 5. -1c e -1d estão em ressonância 5: 3; -1d e -1e estão em 3: 2, assim como -1e e -1f. -1f e -1g estão em 4: 3.

Todos eles parecem estar na zona habitável de TRAPPIST-1. Isso significa que eles poderiam, sob condições adequadas, sustentar a água em forma líquida em sua superfície. Porém, não se pode afirmar isso ainda referente a qualquer um dos planetas. Por exemplo, em nosso Sistema Solar, Vênus e Marte estão na zona habitável, mas ambos são bastante inóspitos atualmente.

Dos sete, os pesquisadores acreditam que -1e, -1f e -1g são os mais prováveis ​​de serem habitáveis ​​com base no local onde estão no sistema solar de TRAPPIST-1.




Embora sete planetas tenham sido confirmados, isso ainda não é tudo o que esse sistema pode armazenar.

"É apenas o começo, por muitas razões - pode haver mais planetas além de 1g", disse Julien de Wit, co-autora do artigo.


Muita calma nessa hora

Há outras considerações antes de declararmos os planetas prontos para hospedarem vida. Estrelas anãs do tipo M, como TRAPPIST-1, tendem a ter um início de vida muito ativo, com eventos de alta energia e radiação. Isso poderia arrancar a atmosfera de planetas ainda jovens.



Neste estágio, de acordo com o co-autor Emmanuël Jehin, a maioria dos cometas teriam sido varridos do sistema e, portanto, incapaz de reabastecer as atmosferas dos planetas. Mas outras forças como o vulcanismo poderiam trabalhar para estabilizar as atmosferas, reforçando-os contra os implacáveis ​eventos solares de TRAPPIST-1

Estrelas anãs do tipo M se estabilizam após os primeiros 3 bilhões de anos, embora muitos eventos estelares ainda ocorram. Por exemplo, Proxima Centauri é uma estrela ativa, o que poderia esterilizar seu planeta na zona habitável, Proxima Centauri b, impedindo assim, a formação de vida complexa. Mas o TRAPPIST-1 é mais fria e menos ativa que o Proxima.




TRAPPIST-1 e seus sete planetas (!!!) estão no topo da lista de planetas a serem observados pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), assim que ele entrar em operação, já no ano que vem. Um telescópio de acompanhamento para TRAPPIST-1, o Telescópio SPECULOOS [próprio para estrelas ultrafrias], será capaz de encontrar mais objetos do porte de TRAPPIST-1. O próprio telescópio TRAPPIST procurou por planetas em apenas 50 estrelas ultrafrias, enquanto SPECULOOS vai olhar para dezenas de milhares.

Comparativo entre o nosso Sistema Solar e TRAPPIST-1
O Telescópio Espacial James Webb  monitorará trânsitos de planetas na estrela TRAPPIST-1, esperando capturar um vislumbre de suas atmosferas. Se eles parecem ser pequenos e contiver água líquida em sua superfície, podemos realmente estar olhando para um planeta bastante parecido com a Terra. Ou até mesmo três deles. Ou então, quem sabe, por que não, sete planetas.

"Temos sete alvos que podemos estudar profundamente e eles podem nos dar uma visão completamente nova sobre a formação de planetas e da história da estrela", de Wit finalizou.



A carta celeste para encontrar TRAPPIST-1 no céu noturno.




[Tradução: @difurlan1]

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