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A vida e o tempo de Sirius B


A anã branca que orbita Sirius começou sua vida como uma estrela azul com 5 vezes a massa do Sol, segundo astrônomos do Arizona e do Novo México. Se essa estrela azul ainda brilhasse hoje, Sirius seria tão brilhante que iria produzir sombras na Terra!

A apenas 8.6 anos-luz de distância, Sirius é a estrela mais brilhante à noite. E são duas: Uma é chamada de Sirius A e vive em seu período de sequência principal, enquanto que a outra estrela tem um brilho fraco - e é a anã branca mais próxima da Terra.

(Localização de Sírius no céu noturno)

Agora, James Liebert, David Arnett, Jay Holberg, e Kurtis Williams, da Universidade do Arizona e Patrick Young do Laboratório Nacional de Los Alamos estão estudando a evolução de Sirius. Primeiro eles tiveram que conhecer as massas das estrelas, por que quanto mais massiva a estrela, mais rápido ela evolui. As duas estrelas se co-orbitam a cada 50 anos. Esse movimento orbital revela que Sirius A, a mais brilhante, tem 2.02 vezes a massa de nosso Sol e Sirius B, a anã branca, tem a mesma massa de nosso Sol.

Liebert e seus colegas então determinaram a idade de Sirius A. Na idade atual ela está na fase de sequência principal e sua luminosidade e diâmetro mudam. Trabalhos recentes com interferometria descobriram que o diâmetro de Sirius A é 71% maior do que o nosso Sol.  Ao modelar a evolução de uma estrela com a massa de Sirius A, os astrônomos descobriram que a estrela alcançou a luminosidade e diâmetro atual de 225 a 250 milhões de anos após seu nascimento. Esta idade significa que Sirius completou apenas uma órbita ao redor da galáxia. Em contraste, o Sol tem 4,6 bilhões de anos - 20 vezes mais velho.

Depois, a equipe de Liebert examinou Sirius B, que um dia ela já passou pela fase de sequencia principal. Após essa fase, ela inchou, se tornou uma gigante vermelha e encolheu em uma anã branca. Uma anã branca, fria e pouco luminosa, assim como todas são. Astrônomos estimam que Sirius B se transformou de uma estrela massiva e quente, para uma anã branca em 124 milhões de anos. Então, a estrela brilhou em sua sequencia principal e depois em uma gigante vermelha de 101 a 126 milhões de anos - O tempo de vida esperado de uma estrela que nasce com 5 massas solares.

(Comparação de tamanho de Sirius B com a Terra)

Uma estrela em sequência principal com essa massa teria emitido algumas vezes mais luz do que Regulus, que se localiza na Constelação do Leão - que em um estudo de 2005 foi constatada que ela tem 3.4 massas solares. Se Sirius B brilhasse tão forte hoje, ela seria mais brilhante do que Vênus (Vênus reflete apenas, não brilha. Mas apenas para melhor entendimento, utilizamos esse termo) - brilhante o suficiente para fazer sombras na Terra. Quando Sirius B se tornou uma gigante vermelha, ela deve ter perdido cerca de 80% de sua massa, por que hoje ela tem a mesma massa de nosso Sol.

Esse novo trabalho lança mais dúvidas na crença de que Sirius se move através do espaço com as cinco estrelas centrais de Ursa Maior. Em 1909, um astrônomo dinamarquês chamado Ejnar Hertzsprung disse que Sirius provavelmente pertencia ao grupo de Ursa Maior, cujo núcleo está a 80 anos-luz de distância. Em 2003, contudo, Jeremy King da Universidade Clemson e seus colegas questionaram se Sirius é realmente parte desse grupo. Eles também estimaram em 500 milhões de anos a idade desse grupo. Isso é o dobro da idade que Liebert e seu time estimou para Sirius, sugerindo que as duas não tinham nada uma a ver com a outra.


Os astrônomos irão publicar seus trabalhos em um artigo na Astrophysical Journal Letters.

Ken Croswell é autor de Magnificent Universe and Magnificent Mars.


[Tradução: Diogo Furlan - no Facebook/Instagram como: @difurlan1]

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