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Um vasto oceano na lua de Saturno, Encelado, pode ser morada de um segundo gênesis.

"As descobertas em Encelado mudaram a direção da ciência planetária" - Linda Spilker, Cientista do Projeto Cassini, espaçonave que orbita Saturno e suas luas.


Concepção artística da lua Encelado com a espaçonave Cassini realizando um sobrevoo.
Encélado em números

Diâmetro: 500 km
Gravidade: 0,113 m/s²
Temperatura: -198 °C (média superficial)
Período orbital: 33 horas
Distância da Terra: 1.2 bilhões de Km
Descoberta por: William Herschel
Explorada por: Voyager 1 e 2, Cassini.


Encelado comparada ao tamanho territorial do Reino Unido.

Chris Mckay, um astrobiólogo da NASA diz: "eu me interessei em procurar por vida no Sistema Solar por décadas e ainda estou espantado com o que estamos vendo em Encelado. É um mundo tão pequeno e tão longe da Terra, de onde jorra para o espaço uma infinidade de riquezas de matéria orgânica, inclusive água, o que indica habitabilidade. É surpreendente".

Com enormes jatos de partículas de gelo e vapor d'água sendo atirados a 10 quilômetros de altura, com um vasto oceano global coberto por uma capa de gelo, Encelado é um dos mais fascinantes corpos celestes de nosso Sistema Solar. A diretora de operações e imageamento de voo da nave Cassini - que ainda orbita Saturno, da NASA, Carolyn Porco, descreveu as descobertas de jatos e elevadas temperaturas no polo sul de Encelado, como "a coroa principal de todas as descobertas".


Gêiseres expelindo água sobre a lua Encelado. Créditos: Missão Cassini

As descobertas, segundo Porco, apontam para a possibilidade de "um ambiente onde a vida pode estar presente". Moléculas orgânicas complexas, cuja exata composição permanecem desconhecidas, foram detectadas em gêiseres de Encelado, criando condições que parecem ser favoráveis ao surgimento de vida.

A aparente espessura (fina) da capa de gelo no polo sul poderia também permitir uma futura missão de exploração espacial para recolher dados, inclusive utilizando radar, o que seria muito mais confiável e fácil de se transpor do quê os 40 quilômetros de capa de gelo que foi calculado anteriormente. Parece que Encelado ainda tem muitos segredos guardados.

"Devemos descobrir uma segunda gênesis em nosso Sistema Solar", disse Porco."A teoria da existência pode ser comprovada se a partir dela pudermos afirmar que a vida não foi um acidente, mas sim uma característica do universo em que vivemos e que ela é um fato muito comum".


Uma equipe internacional propôs recentemente um novo modelo que reconcilia diferentes dados e que nos mostra que a capa de gelo no polo sul de Encelado pode ter apenas alguns quilômetros de espessura. Isso sugere que pode haver uma forte fonte de calor no interior desta lua. Essa teoria dá suporte a possibilidade emergente de vida neste oceano.

Interpretações iniciais dos dados do sobrevoo da Cassini sobre Encelado estimaram que a capa de gelo tinha uma espessura de 30 a 40 quilômetros no polo sul e até 60 km no equador. Porém esses modelos foram incapazes de resolver a questão sobre a existência ou não de um oceano sob a capa de gelo.

Contudo a descoberta em 2015 de uma oscilação na rotação de Encelado conhecida como libração, que tem ligação com efeitos de maré, sugere que há um oceano global e uma capa de gelo mais fina que o previsto com uma espessura média de cerca de 20 quilômetros. No entanto, essa espessura parece ser incompatível com dados de topologia e gravidade.

Afim de conciliar diferentes restrições, pesquisadores do Laboratório de Paleontologia Geodinâmica de Nantes, da Universidade Charles em Praga Edu Royal Observatory da Bélgica propuseram um novo modelo onde os 200 primeiros metros da capa de gelo são de certa forma flexíveis.

De acordo com esse estudo, Encelado é feito de um núcleo rochoso com um raio de 185 km e um oceano interno de aproximadamente 45 quilômetros de profundidade, isolado da superfície por uma capa de gelo com 20 quilômetros de espessura, com exceção dos polos onde essa capa de gelo tem menos de cinco quilômetros de espessura. Neste modelo, o oceano sob o gelo tem 40% do volume total da lua e sua salinidade é semelhante aos oceanos da Terra. A camada de gelo fina retém menos calor e os efeitos de maré causam fraturas no gelo na região do polo sul. 


Essas imagens, obtidas pela espaçonave da NASA, Cassini, mostram como a atração da gravidade de Saturno pode deformar a superfície "entrelaçada" de Encelado na região de seu pólo sul conhecida como "listras de tigre". Créditos: NASA/JPL-Caltech
Mas isso não é suficiente para explicar o forte fluxo de calor que afeta essa região. Portanto, o modelo reforça a ideia de que há substancial produção de calor no núcleo de Encelado e isso pode alimentar fontes hidrotermais no fundo do oceano.


Fontes: Daily Galaxy
  NASA

[Tradução e adapt.: Diogo Furlan - No Facebook/Instagram como: @difurlan1]

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