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Evidências de antigas tempestades solares estão gravadas nos anéis das árvores

 A natureza é incrível!



Pesquisadores demonstraram que os anéis internos das árvores guardam evidências de tempestades solares e poderia ser usados para obtermos mais dados importantes sobre eventos como estes através da história, como a linha do tempo da cultura Maia ou do Egito antigo.

Como uma impressão digital, a assinatura distinta de uma tempestade solar poderia agir como uma marca do tempo na madeira, papiro, cestas, quaisquer outras plantas que vivem ou material orgânico do passado.

A ideia é que se os cientistas podem detectar a assinatura da radiação de uma tempestade solar em um objeto do passado, assim como um rolo de papiro, eles serão capazes de dizer com precisão quando o evento ocorreu de acordo com o anel da árvore, dando o ano certo que a tempestade solar ocorreu.

“No passado, nós tínhamos estimativas de quando coisas puderam ter acontecido, mas estes relógios secretos poderiam redefinir cronologias importantes das civilizações mundiais, com o intuito de definir com precisão de ano o que houve a milhares de anos atrás”, disse o pesquisador Michael Dee, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Tempestades solares fazem parte do ciclo de vida do Sol e elas ocorrem quando grandes quantidades de radiação explodem para fora do Sol em um fluxo que pode alcançar a atmosfera da Terra.

Quando isso acontece, toda essa intensa radiação faz com que as plantas guardem ali cerca de 20 vezes mais isótopos radioativos de carbono-14 em suas células.

Hoje, pesquisadores descobrem a idade de um objeto usando a datação por carbono, que funciona comparando a relação entre o carbono-14 e o carbono-12, o normal. Pela velocidade previsível de decaimento do carbono-14, pode-se analisar o quanto que é deixado em comparação ao carbono-12. Assim, pesquisadores podem estimar a idade de um objeto.

Mas agora a equipe de pesquisa apresentou uma técnica de datação mais precisa olhando para os pontos de carbono 14 e usando os anéis de árvores para contar o ano em que ocorreu. 

O cientista japonês  Fusa Miyake descobriu primeiro a ligação entre antigas tempestades solares e níveis anormais de carbono-14, quando ele ligou um pico de radioisótopo a uma tempestade solar por volta de 775 D.C. (crônicas anglo-saxônicas narram registros de um misterioso “crucifixo vermelho” no céu em 774 A.C, o que poderia ter sido um registro visual da atividade solar).

A equipe da Universidade de Oxford, desde então, identificou um segundo evento, chamado de evento Miyake, que remonta a 994 AD.

Agora eles estão propondo que os pesquisadores usem esta técnica para relacionar datas que não são precisas "do antigo Egito, a civilização Maya, ou a Idade do Bronze, a anos específicos.

Embora atualmente temos uma ideia aproximada do que aconteceu nestas culturas, é difícil estabelecer datas específicas porque os nossos calendários são muito diferentes nos dias de hoje.

"Na verdade, a data ​​mais antiga e precisa das Américas ainda é considerada como sendo a chegada de Colombo em 1492," escrevem os autores no Proceedings of the Royal Society A.

Mas o que é interessante é que não são apenas anéis de árvores que teriam a impressão digital de carbono-14, mas sim qualquer planta que estava viva no momento da tempestade solar, tais como juncos que teriam sido transformados em papiro, ou fibras de celulose em tecidos de linho.

O próximo passo é realizar uma investigação por mais pontos nos anéis de árvores e, em seguida, isolar o ano em que aconteceu.

Os pesquisadores nunca noticiaram esses pontos de carbono 14, porque eles estavam analisando os anéis das árvores de uma década para cá. A tempestade solar afeta somente no ano em que registrou-se nos anéis das árvores.

Mas agora a equipe apresentou um sistema matemático que permitiria investigadores re-examinar de forma eficiente os dados existentes destes eventos. Esta informação poderia nos ensinar mais sobre a história da atividade solar, mas também pode ser usado juntamente com registros históricos para criar um registro extremamente preciso do passado.

"A chave aqui é que nós temos uma longa história cronológica. No antigo reino do Egito, temos toda a sequência de reis e a ordem dos reis é muito bem definida. Temos uma noção razoável de quanto tempo eles ficaram no poder, " Dee disse ao The Guardian.



[Tradução: Diogo Furlan - no Facebook/Instagram como @difurlan1]

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